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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Don't Look Back in Anger

Meus amigos e inimigos, despeço-me aqui de vocês. Quando comecei este blog, tinha em mente a postagem de uma série de textos que viriam a ser [ou assim pretendiam] meu futuro romance, The Blackwell Tunes. Tanto assim o é pela experimentação estilística que marcou as primeiras postagens, totalmente inconsequentes nas suas pretensões. Mas a idéia foi crescendo e seguindo uma linha no estilo "olhar perdido de uma crônica anunciada". Falei de pessoas e lugares, da minha cidade e de outras. Falei de mim mesmo, que foi o que penso ser o que mais fiz. E falei do nada, de dias sem nada especial a acontecer, de matérias que arrisquei fazer e de notícias do mundo louco, cada vez mais louco, que está aí, rugindo com a besta do fim dos tempos. Enfim, o blog virou parte de minha vida e, espero, das suas também, meus amigos e inimigos. Mas fatos maiores a minha vontade me arrastaram para outros lados que, agora sei, não convêm mais a este ambiente. Dilacere seu coração e não saberá o que fazer a seguir. Pois este é o estado das coisas, e assim será de forma irreversível na sua própria lógica. Nada é igual depois que muda de alguma forma. Sinto tristeza por estar encerrando esta realidade fragmentária que alimentei por meses na mais absurda indiferença moral, porém não posso ignorar o resultado conquistado. Sou orgulhoso de cada catarse literária atingida. Espero que a sua verdade e o seu tempo tenham significado para alguém além de mim, embora isso não seja fundamental. O ponto é, encerrar as atividades do blog agora é inevitável pelo rumo que minha vida tomou desde junho, fugindo do contexto no qual abrigavam-se a memória e a linguagem aqui depositadas. Obrigado pelos comentários e incentivo recebidos. Abraço para todos e boa sorte. LIVE FOREVER.

domingo, 8 de junho de 2008

Sunday Morning Call [Parte Dois]


Escrevi uma resenha sobre o último livro do Nick Hornby. Depois que foi publicada, comecei a achar que poderia tê-la escrito de outro jeito. Não sei, de repente algumas passagens me soaram bem resumidas, e isso talvez não estimule muito a ler quem não conhece o autor. Condensei muitas coisas em poucas linhas. Sim, eu sei que dificilmente alguém o procure a partir desse livro, até por ser o menos indicado para entrar no seu universo ficcional, mas enfim... Queria que o interesse fosse genuíno, de qualquer forma. E ele é bem bacana, afinal. Bem, aí vai a matéria, postada em outro sítio:


"Talvez o escritor mais pop do mundo, em todo o poder desta expressão, Nick Hornby aporta nas livrarias brasileiras com o seu mais novo lançamento, Slam, voltado para o universo juvenil, tratando de um tema nada amistoso: gravidez na adolescência.

Escritor marcante pela verve irônica e proximidade de seus personagens com a realidade contemporânea, já teve três de suas obras adaptadas ao cinema, como Alta Fidelidade e Um Grande Garoto, todas com sucesso. Com sua fórmula cheia de citações musicais e sentimentos familiares a nossa geração, Hornby criou um público cativo para seus livros, ainda que tenha produzido textos controversos, a exemplo de Uma Longa Queda, de teor adulto e carregado, que também está tomando o caminho das telonas.

Agora, voltando seu trabalho para um público mais jovem, o autor inglês traça a vida de um adolescente que vê suas perspectivas mudarem com a gravidez da namorada. O tratamento dado não chega a ser leve, mas passa longe de ser uma compilação didática do tema ou uma lição moralista sobre os riscos do sexo sem prevenção. Até porque esse tom soaria dissonante de sua obra.

Os conflitos vividos pelo personagem principal, Sam, e sua namorada Alicia surgem genuínos diante da complexa situação que enfrentam, com problemas difíceis de lidar para sua idade, 16 anos. Apaixonado por skate e sem grandes preocupações com o futuro, Sam vê seu mundo mudar drasticamente com o filho que se avizinha. Procurando ajuda com seu “amigo” Tony Hawke [ou melhor, com o pôster do famoso skatista pregado na parede de seu quarto e com quem julga conversar], o protagonista abre espaço para questionamentos sobre mudanças em sua vida e na realidade a sua volta. Afinal, precisa assimilar as angústias e cobranças que crescem junto com a barriga da namorada, e lidar com a nova postura que as mudanças impõem.

Em seus melhores momentos, Hornby repete neste livro a qualidade que o consagrou: falar um pouco de quem o lê e se identifica nas peripécias imaginadas por ele. É até um lugar-comum reconhecer-se em personagens como Will e Rob Fleming. Embora utilize recursos duvidosos para antecipar as agruras de seu novo protagonista, no fundo trata de uma pessoa comum com um problema cada vez mais comum para lidar. E que vive um cotidiano reconhecível: SMS, X-Box, Green Day, Jennifer Aniston e Starbucks.

O autor estabelece um diálogo honesto com os elementos mencionados, tornando desconcertante algumas passagens por serem antes críveis que cômicas. É capaz de basicamente contar a mesma estória várias vezes e ainda assim serem sempre imprevisíveis, pois como cada um de nós, seus personagens levam tombos e quedas na vida. O importante é saber como se levantam. E disso Nick Hornby mostrou que sabe falar como poucos, seja para uma geração ou para outra."

domingo, 1 de junho de 2008

Sunday Morning Call [Parte Um]

Farei-me entender em poucas palavras por enquanto. Os cinco melhores discos para começar um domingo e que descobri recentemente:

1.Rilo Kiley - Under The Blacklight
2.Stars - Set Yourself On Fire
3.Russian Red - I Love Your Glasses
4.Broken Social Scene - You Forgot It In People
5.This Is Ivy League - This Is Ivy League

sábado, 26 de abril de 2008

Bring It On Down

Tentei listar meus discos preferidos, os livros que falam por mim, os filmes com os quais me identifico; tentei me encontrar em obras de outros. Seria um mosaico de minhas emoções em que faltasse os olhos. Ao cabo de horas, percebi que nada me levava à pretensão marcada. O que essa lista falaria de mim, no final? Seria necessária mesmo? Às vezes tenho essa vontade estranha de me traduzir, colocar pelo avesso o estômago e jogar pra fora tudo o que me corrói aqui dentro. Mas a transgressão enfrenta limites de linguagem, de metalinguagem. De interposição de corpos estranhos. Então a vontade inverte, e me abrigo na distância que proponho entre os discos e livros e filmes. Nunca estarei estampado neles, embora digam sobre quem imagino ser.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Going Nowhere

Onde uma rua se torna praça e mercado, onde os pássaros em gaiolas arrancam as próprias penas e os cachorros comem os restos de carne e ossos, onde o vendedor boceja enquanto escuta a conversa da cliente, onde os carros passam em marcha lenta, desviando dos pedestres.
A hora passa.
Outra rua, novos olhares, da loja de consertos entulhada com televisores antigos, da pastelaria cheia de trabalhadores calados, da igreja evangélica ocupada apenas por um pastor, da biblioteca munincipal, exalando o cheiro de mofo.
Quase noite.
No antigo cais da cidade, uma pizzaria com poucos clientes, um pequeno museu fechado, uma loja de artigos velhos e usados, uma sorveteria com alguns turistas, uma senhora oferecendo artesanato, o velho galpão, perto da nova sede comercial da cidade. Depois, o rio.
01:27 am
Começa a chuver quando bêbados passam em bando, fazendo algazarra. O gato pulando o muro testemunha o instante em que os namorados se despedem pela última vez. Quem estará aqui outra vez, amanhã quem sabe? Um barulho longínquo remota ao tempo.