Um tempo e um livro como hoje vêm em círculos. Nova adaptação. O espaço é pequeno, mas repete-se mesmo assim. Entre o quarto e a sala, dois metros de grandeza. No pesadelo que tive, sons vinham de lá. Distinguia vozes familiares, mas alguma coisa ficava de fora. Agora, não conta muito. Mas minutos antes... Não sei bem como aconteceu. Somente que me encontro aqui, e nem sempre é bom desse jeito. Nunca me recorre algum plano sincero. Enquanto.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
terça-feira, 6 de maio de 2008
How Now [Parte Um]
Acordar e tomar café assistindo televisão. Esperar o ônibus pensando nas próximas horas. Outra vez. O que você faz de sua vida é decidido sem que perceba. Quando se dá conta, já passou. Isso não é propriamente a conclusão mais original. Sabe que é capaz de raciocinar algo inteligente e que chame a atenção das pessoas. Mas não o faz; está ocupado imaginando torturas para todos que o recriminam. Sim, seria interessante. Porém, não agora. Agora o melhor a fazer é anotar tudo o que dizem. Pode ser útil em outra vida.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Freeway
Sem dinheiro nos bolsos ou amor nas almas,
só resta esperar.
E que o trem não demore nas estações de dor.
Passe em estado de consciência alterada
pelos anos que virão como tespestade,
arrastando insistentes os meses do calendário.
A espera é longa, mas encerra antes da vida.
só resta esperar.
E que o trem não demore nas estações de dor.
Passe em estado de consciência alterada
pelos anos que virão como tespestade,
arrastando insistentes os meses do calendário.
A espera é longa, mas encerra antes da vida.
sábado, 3 de maio de 2008
The Blackwell Tunes - Covers # 6
They say it's your birthday
It's my birthday too, yea
They say it's your birthday
We're gonna have a good time
I'm glad it's your birthday
Happy birthday to you
Yes we're going to a party, party
Yes we're going to a party, party
Yes we're going to a party, party
I would like you to dance (Birthday)
Take cha cha cha chance (Birthday)
I would like you to dance (Birthday)
Oh, yea
They say it's your birthday
It's my birthday too, yea
They say it's your birthday
We're gonna have a good time
I'm glad it's your birthday
Happy Birthday to you
It's my birthday too, yea
They say it's your birthday
We're gonna have a good time
I'm glad it's your birthday
Happy birthday to you
Yes we're going to a party, party
Yes we're going to a party, party
Yes we're going to a party, party
I would like you to dance (Birthday)
Take cha cha cha chance (Birthday)
I would like you to dance (Birthday)
Oh, yea
They say it's your birthday
It's my birthday too, yea
They say it's your birthday
We're gonna have a good time
I'm glad it's your birthday
Happy Birthday to you
sexta-feira, 2 de maio de 2008
People In The City
"De modo que é assim que vivemos nossas vidas. Não importa quão profunda e fatal seja a perda, o quão importante fosse o que nos roubaram - que foi arrebatado de nossas mãos -, mesmo que mudemos completamente, com somente a camada externa da pele igual à de antes, continuamos a representar as nossas vidas dessa maneira, em silêncio. Aproximando-nos cada vez mais do fim da dimensão do tempo que nos foi estipulado, dando-lhe adeus enquanto vai minguando. Repetindo, quase sempre habilmente, as proezas sem fim do dia-a-dia. Deixando para trás uma sensação de vazio imensurável."
Trecho do livro "Minha Querida Sputnik", de Haruki Murakami.
End It On This
Organizando minha coleção de cds, encontro um disco que comprei há dez anos. Estava perdido entre o Elvis Costello e a Macy Gray. O álbum em questão não importa em si; digo apenas que envelheceu bem e ainda me soa forte e até atual como antes. Mas o que ele representa... Dez anos podem representar muito na vida do indivíduo, principalmente se ele, nesse ínterim, muda de cidade, entra na faculdade, se forma, e vive experiências de vida durante o curso universitário que o fazem enxergar a chamada realidade de uma forma diferente. Quando percebo que me vejo distante da pessoa que comprou esse cd, fico um pouco apreensivo da pessoa que serei daqui a dez anos. Porque me transformo pelo tempo através de percepções cada vez mais estranhas. E a próxima década será a provação do gênio que me tomou por tudo o que vivi até aqui. O que significa que saberei se estou certo pelas minhas escolhas. Simples, não? Se você não estiver receoso da resposta, talvez sim. Mas o mundo nos chama a propensas realizações que ignoram o resultado. Se vejo tudo sob minha ótica, Não há nada de errado. O problema é que a barbárie da solidão social não me atingiu como gostaria, retornando processos que preferiria ignorar. De volta ao ponto. Só uma certeza é válida por enquanto. A década vindoura perece sci-fi quando recordo que não me resolvi ainda com esta por completo.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Everything In Its Right Place
Ontem fiz uma longa travessia da cidade. Saí para uma caminhada que poderia não ter volta, partindo pela avenida que tange o rio até a ponte iluminada. Prestava atenção nas pessoas, a maioria mais apressada que eu. Não sentia o cansaço, apenas uma dormência nos braços. Talvez morresse ali, na calçada, talvez fosse desviando dos outros enquanto a bateria do meu mp3 player durasse. Quem dizia o destino era a música. E por mais de uma hora, Radiohead escolhia por mim em que esquina virar. Subi a avenida que vai para o centro, ignorando as horas, o tumulto na parada de ônibus. Perto da estação do metrô, lembrei do show que um amigo havia comentado. Fui até lá. O volume das conversas competia com o som, não conseguia prestar atenção em nada. Apenas no movimento. Ruídos intistintos, o suor dos que avançavam para o palco, possuídos pela música. Uma boa terapia. Minhas pernas tremiam enquanto decidia-me pela volta repentina com as mãos descansando no bolso. Depois do cover que não reconheci qual, voltei para a rua, vendo risos, copos cheios, conversas animadas. Senti-me preso ao meu tempo, não ao meu lugar, e fiquei triste com isso. Meus passos estavam mais lentos, calculados. O centro esvaziava, assim como meus pensamentos. Esperava desligar minha atenção de tudo, restando apenas minha respiração. Àquela altura, a cidade e seus signos não importavam muito, apenas o sentimento de esgotamento e alienação que me levava de volta para casa.
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