Meus amigos e inimigos, há vida fora do MSN. Há no ar que respiramos uma chamada para experimentar sapatos sem compromisso, um convite para evadir festas que se tornam tremedamente chatas, a liberdade de chutar a internet pra escanteio e ignorar os leaks do mais novo álbum do Death Cab For Cutie. Meus amigos e inimigos, há definições no cosmo que dissipam qualquer utilidade do orkut. São devaneios nominais que arrastam a massa para o telefone, a fim de ouvir a própria voz dqueles que já desconhecemos fisicamente pela falta de contato. As mudanças podem não vir em banda larga, mas farão sentir sua presença. Ao menos deixam marcas no coração condizentes com a elevação da pretensão mundana que somos capazes de produzir. Meus amigos e inimigos, há nos índices literários mais fascínio que a Wikipédia ou o Google podem produzir. Podem sentir isso com as mãos, em cada página virada, mas apenas se elas estiverem longe do teclado. Senão vejamos. Existiria caracteres tão íntimos quanto um abraço? Um beijo? Que emoticon seria mais explícito que olhos demasiadamente felizes pela nossa companhia? A realidade não é virtual. As cores de um belo dia solar não estão codificadas em pixel. Abracemos a insignifcância que o conteúdo de nossas palavras produzirá em um chat com desconhecidos sobre o conteúdo da televisão. Desista: jogos em rede tentam nos conquistar mas apenas a sinceridade do amor prevalece. Meus amigos e inimigos, ainda não precisamos de amores cibernéticos. A destruição pós-nuclear não aconteceu, de forma que não estamos inevitavelmente separados pela tela fria do computador num futuro apocalíptico em que homens se anulam diante das máquinas. Podemos ainda receber o calor de um sorriso que nos acolha de vez.
sábado, 31 de maio de 2008
The Next Life [Parte Dois]
Perdi o contato com muitas pessoas durante a vida. Mais parece que me afasto dos outros que me aproximo, mas o contigente preciso das duas hipóteses não me é preciso. Apenas sei que a sensação de distanciamento é maior. Novas amizades, companhias, o que seja... Isso é raro. Penso muito ultimamente o que me levaria a tal estado de graça inversa com meus pares. Alguns pontos: sinceridade cortante às vezes. Ou alguém gosta de ouvir da boca de terceiros as reais intenções de seus atos, intenções estas escondidas de si próprias? Percebe-se pois então egoísta, mesquinho, mentiroso, invejoso ou cheio de rancor. É como o pus de uma ferida. Sabemos que está lá, e por causar asco, evitemos olhá-lo ou mesmo lembrar de sua existência. O pus de nossas relações sociais está sempe exposto, mas convenientemente deixado de lado. Ademais, desencanto-me com as pessoas. Acabam por fazer coisas que me desagradam ou cansam. Ou eu mesmo as canso ou desagrado. Como seria interessante aos olhos de outrem? Desfilo com congruência e equidade toda a leitura de uma vida, ainda work in progress, as músicas que povoam meu quotidiano, faço-me ouvinte, conselheiro, amigo. Acima de tudo, amigo. Sem significados. A amizade por si já traduz o que almejo dizer. Por que então...? Misteriosamente, o afastamento progide, e sem alento torna-se meu rosto uma imagem estranha para tantas pessoas. E me estranham também. Alguns acabam por fazer coisas completamente improváveis. Reduzem suas falas em uma nota só. Constragem a mim pela forma inócua de convivência, pela maneira como subestimam o que posso oferecer. Mas, por não estar aquém do que me provam, revolto-me, ludibriando-me com o que pensei conhecê-las. Mas o passado resta-se pouco. Muito pouco. Um quase nada ventilado por certas conversas, gestos velados, gratidão ocasional. Por tudo isso sempre chego à mesma conclusão: não conheço muitas pessoas honestas.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
The Blackwell Tunes - Covers # 7
I'm sick and tired of hearing things from
Uptight short sided narrow minded hypocritics
All i want is the truth, just give me some truth
I've had enough of reading things
By neurotic psykotic pigheaded politicians
All i want is the truth, just give me some truth
No short heared yellow bellied
Son of tricky dicky's
Gonna mother hubbard soft soap me
With just a pocket full of hopes
Its money for dope, money for rope
No short heared yellow bellied
Son of tricky dicky's
Gonna mother hubbard soft soap me
With just a pocket full of hopes
Its money for dope, money for rope
I'm sick to death of seing things from
Tight lipped colasilick mamas little chuvanist
All i want is the truth, just give me some truth
I've had enough of watching scenes from
Skezofronic ego centric peranoid primadonnas
All i want is the truth just give me some truth.....
Uptight short sided narrow minded hypocritics
All i want is the truth, just give me some truth
I've had enough of reading things
By neurotic psykotic pigheaded politicians
All i want is the truth, just give me some truth
No short heared yellow bellied
Son of tricky dicky's
Gonna mother hubbard soft soap me
With just a pocket full of hopes
Its money for dope, money for rope
No short heared yellow bellied
Son of tricky dicky's
Gonna mother hubbard soft soap me
With just a pocket full of hopes
Its money for dope, money for rope
I'm sick to death of seing things from
Tight lipped colasilick mamas little chuvanist
All i want is the truth, just give me some truth
I've had enough of watching scenes from
Skezofronic ego centric peranoid primadonnas
All i want is the truth just give me some truth.....
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Storytelling
Tenho inúmeros projetos literários na gaveta. Ou melhor, numa pasta aqui no computador. Falha minha dizer isso, ou quase, já que até pouco tempo atrás eu escrevia tudo à mão, num caderno da faculdade desviado de suas funções. Ao menos do último que me lembro. Escrevi em cadernos e agendas minha vida inteira, e muitos deles estão espalhados por aqui e na casa de meus pais. Às vezes gosto de lê-los e considerar o quão medíocre são meus textos de outrora, principalmente os anteriores aos meus 17 anos. Sim, porque costumo dividir meus textos de acordo com a idade em que os escrevi, ou etapa de estudo em que estava envolvido então: colégio, faculdade, etc. De qualquer forma, nenhum desses projetos foi levado adiante. Preguiça, inércia, incapacidade de desenvolvê-los a meu gosto, seja o que for, não foram adiante. Alguns estão resumidos a poucas linhas de contexto. Para outros, escrevi uma pequena sinopse, de mais ou menos 10 páginas. No fundo, meus pretensos romances já gerariam uma coletânea de contos por si só. E isso, apesar de ser uma brincadeira, não me deixa nada contente. Várias vezes tentei trabalhá-los conforme o planejado. Mas meu poder de sintaxe parece ser muito forte, pois não consigo modelar os capítulos de forma mínima satisfatória. O alcance da linguagem em certo período me parece dizer tudo o que seja relevante, matéria que em outras mãos se transformariam em 20, 30 páginas. Se eu assim fizesse, seria apenas embromação. Escritores que admiro enormemente e que gostaria que escrevessem meus livros: Mario Vargas Llosa, Ian McEwan, Edgard Telles Ribeiro, Milton Hatoum. Logicamente, nunca se dariam a esse trabalho. Ademais, a argila é minha. Quem tem que fazer o vaso sou eu. Renoir não delegou a idéia de seus quadros para outrem. Enfim, essas idéias vaidosamente grandiosas passam pela minha cabeça certos instantes. Quando pego minhas sinopses procurando uma solução, sempre considero a hipótese da coletânea de contos. Mas me incomodo bastante com isso. São muitas idéias par condensar em poucas páginas. Idéias que vislumbrei detalhadas em 200 e poucas páginas, sendo lidas e consideradas por pessoas que realmente as apreciem. Sabe, um livo de contos seria até possível, mas não com estes textos. Eles nasceram para ser grandes. Mas com tantos em mãos e nenhum forte e saudavelmente crescendo, sinto-me como uma mulher na eterna expectativa de ser mãe e perdendo um tempo precioso com tentativas fracassadas. Quero um livro feito pela força e inquietude da juventude, algo que me aproximasse de Rimbaud e tantos que expiaram o mundo na mais tenra idade. Haveria quem enxergasse a realidade através de meus olhos? Leitores meus, seria a glória. A concordância é a antítese que alimenta cada coração voltado à página em branco.
domingo, 25 de maio de 2008
Lost [Parte Dois]
Algumas celas são invisíveis;
mesmo quando reconhecemos os rostos.
Se sinto-me próximo da saída,
talvez seja pelo silêncio deles.
mesmo quando reconhecemos os rostos.
Se sinto-me próximo da saída,
talvez seja pelo silêncio deles.
sábado, 24 de maio de 2008
The Next Life [Parte Um]
Acordei me agarrando a qualquer rastro de vida que houvesse por perto. O que alcancei primeiro foi um celular. Estranha a sensação de segurança que um celular desperta. Peguei e fiquei alguns minutos decorando os números gravados na agenda. Seria extremamente libertador apagá-los, ou mesmo livrar-me do celular. Quantas pessoas no mundo teriam tido essa sensação ao mesmo tempo que eu? Quantas pessoas se sentem presas à vida, tentando sempre manter a unidade, quando deveriam despedaçar-se, começando tudo outra vez? Ou quem sabe não começar nada. Apenas mudar. Mudar com a frequência que a vida pede. A repetição gera o hábito. O hábito gera o costume. E o costume nos arrasa, tornando-nos previsíveis e amedrontados. O prazer está em cada nova experiência enfrentada... O prazer está no que exigimos de nós mesmos. Se escapamos disso, viramos inúteis tecnicamente. Lógico, não vemos as coisas desta maneira. Até porque dificilmente nos deparamos com desafios que realmente nos desperte a vontade de enfrentá-los. A maior parte do tempo é só burocracia, insatisfação, incoerência. O que mais poderia haver, pensamos. É só uma questão de nos manter vivos. Por isso gastamos muitas horas por dia trabalhando, pagando contas, comendo, criando os filhos, quando os há. E, no que resta, dormindo. A máquina cansada rejeita novos comandos. O dinheiro, as exigências sociais geradas por ele, os desejos para passamos a converter de acordo com a sua conveniência, isso nos destruiu. Dei-me conta que foi isto o que assustou quando acordei. Alguma imagem abstrata rondava meu incosciente, me atormentando com esta que é a vida antes da existência.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Time To Pretend
O que escrevo é uma droga, o que leio não é um filme, meu amor é um incenso que queima no silêncio da madrugada. Somos o que somos, e isso é pra valer. Porque não estou a fim de novas ideologias ou idolatrias ou fantasias ou seja lá o que você propor. Meu plano é outro: feche os olhos e se entregue sem medo a tudo o que não vê. Isso mesmo. O que parecer sinistro, hediondo, díspare... Esse é o seu destino. Isso é o que deve almejar. Que sentido teriam as coisas fáceis, já conhecidas? Isso é conforto, apenas. O que, obviamente, é inútil. O que nos faz sangrar é o que nos faz crescer. O que nos fere, nos opõe, nos machuca, isso é interessante. O que nos faz abrir os olhos cansados, seja pelo espanto, astúcia ou malícia. O resto é apenas fingimento deste mundo moderno.
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